CARTILHA: CONHEÇA OLIVEIRA DOS BREJINHOS
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Cartilha
informativa sobre o município de Oliveira dos Brejinhos e a região
onde o mesmo está situado. Para uso em escolas, órgãos públicos,
etc.
Lançada em: 14/04/2004 / Local:
Câmara de Vereadores
PRODUÇÃO:
GRUPO JATOBÁ = COLÉGIO
ESTADUAL TIRADENTES
COLÉGIOS LOCAIS = CÂMARA DE VEREADORES = PREF.
MUN. DE O. DOS BREJINHOS
1-
INTRODUÇÃO
Os
municípios que compõem este subespaço (Boquira, Botuporã, Brotas
de Macaúbas, Oliveira dos Brejinhos, Tanque Novo, Novo Horizonte,
Ibitiara, Ibipitanga, Ipupiara, Caturama e Macaúbas), apresentam
características agroecológicas que se diferenciam dos demais municípios
da Chapada Diamantina. A pluviosidade anual é muito baixa, concentrada
e mal distribuída em poucos meses do ano. O fenômeno das secas irá repercutir
nas estruturas econômicas, sociais e políticas dos municípios. Com
relação à agricultura, existem restrições à sua exploração, em função
de uma elevada concentração fundiária e de limitações climáticas,
que tornam insustentável à pequena unidade familiar.
O abastecimento de água é outro fator limitante de desenvolvimento dos municípios,
sendo realizada através de sistemas convencionais que utilizam como mananciais
de captação. Os poços artesianos mantidos pelas Prefeituras. A inexistência
de redes coletoras do esgoto sanitário coloca a população sujeita a doenças
relacionadas à falta de saneamento básico.
A principal rodovia para a microrregião é a BR 242, sendo a mais importante
não só em termos regionais, como também em termos extra-regionais, em função
da conexão com o Oeste baiano e o Planalto Central do País.
O município de BOQUIRA - as décadas de 60 e 70 exerceram papel predominante
neste subespaço, resultante das atividades monopolistas de mineração do chumbo
no Brasil, cujos efeitos multiplicadores deste empreendimento se fizeram sentir
no crescimento da população urbana e nas atividades e serviços complementares,
mantendo, nesta fase, cerca de 2500 empregos diretos e indiretos. A decadência
desta atividade, no inicio dos anos 90, ocasionou impacto negativo na economia
municipal, a qual vem, gradativamente, buscando outras alternativas de produção
no setor agropecuário. O município de Boquira ainda é uma referencia de prestação
de serviços de saúde para a população de municípios vizinhos, existindo um
hospital regional e a sede da
2.
OS ASPECTOS HISTÓRICO-CULTURAIS DA MICRORREGIÃO GEOGRÁFICA DE BOQUIRA
A
microrregião geográfica de Boquira, estabelecida em meados dos anos
90 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é composta
por onze municípios, a saber: Boquira, Botuporã, Brotas de Macaúbas,
Caturarna, Ibipitanga, Ibitiara, Ipupiara, Macaúbas, Novo Horizonte,
Oliveira dos Brejinhos e Tanque Novo. Tais municípios têm nos seus
aspectos histórico-culturais suas particularidades dentro do contexto
regional e baiano, embora apresente, de forma geral, semelhanças/aproximações
de suas histórias e culturas entre si. Assim, segue-se um resumo
do processo de formação e desenvolvimento de tais municípios de forma
generalizada.
O surgimento dos municípios pertencentes à microrregião de Boquira está ligado
a descoberta de ouro, de diamantes e de carbonatos abundantes nos limites da
Chapada Diamantina. A exploração/extração de tais minérios, realizada inicialmente
pelos bandeirantes (portugueses), provocou sérias alterações no quadro físico
e humano da região. Uma das modificações deu-se com a expulsão de tribos indígenas
como os Tuxás, que se espalhavam às margens do Rio São Francisco, e de outras
tribos desconhecidas que inicialmente habitavam os arredores das jazidas (depósitos
naturais onde se encontra um ou mais minerais inclusive os combustíveis naturais).
Todavia, tais tribos indígenas deixaram suas marcas nas pinturas e inscrições
em diversos pontos da região, principalmente no município de Ipupiara. Sua
influência na microrregião geográfica de Boquira é também visível nos topônimos
dos municípios tais como: Botuporã, Caturama, Ibitiara, Ipupiara, dentre outros.
Nesse sentido, as grandes minas e jazidas de ouro de diamantes, que nos primeiros
tempos geraram tanta riqueza, hoje se encontram esgotadas. Porém, atualmente é grande
a quantidade de cristal de rocha, murion (cristal negro), quartzo e carbonatos
explorados na microrregião de Boquira.
O processo histórico e político das emancipações dos onze municípios também
obedeceram à lógica do desenvolvimento econômico e comercial (mineração, agricultura
e pecuária). Varia no espaço e no tempo iniciando-se em 1832, com Macaúbas
e findando-se em 1989 com Caturama. A criação e a elevação de distritos a categoria
de cidades em muito favoreceu a progressiva fragmentação dos territ6rios, muito
próximos em suas histórias e culturas. A este respeito, apresentam ricos elementos
culturais representados por várias manifestações religiosas e folclóricas tais
como a Festa de Nossa Senhora das Oliveiras (Oliveira dos Brejinhos) e a Festa
do Divino de influência portuguesa (Macaúbas).
Como principais bens representativos da cultura e da história da microrregião
de Boquira tem-se as Igrejas que datam do século XIX. Todavia, é válido destacar
que as Freguesias ou Paróquias e as Dioceses tiveram tal importância no contexto
político-administrativo que chegaram a confundir-se com distritos e municípios.
Tal fato é bastante explícito em Oliveira dos Brejinhos, pois a partir do levante
da capela de Nossa Senhora das Oliveiras formou-se num núcleo populacional,
o qual, posteriormente, fora elevado a categoria de cidade.
A microrregião geográfica de Boquira apresenta ainda áreas livres para a realização
de eventos artístico-culturais e constam de praças, parques, balneários. Já aos
atrativos naturais, ricos em belezas cênicas tão característico da Chapada
Diamantina e de potencial turístico, são representados por rios, cachoeiras,
morros, grutas e uma reserva florestal localizada em Macaúbas da qual os últimos
levantamentos das unidades de conservação do Estado realizados pela SEI (Superintendência
de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia) não fazem referência.
3.
LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS
A
Microrregião de Boquira apresenta estruturas geológicas do pré-cambriano
indiferenciado, com cobertura dentrítica-laterítica e/ou areno-argilo-lateríticas, às
vezes com espessuras cascalheiras. Distinguem-se duas formações:
Supergrupo Espinhaço e Chapada Diamantina (em determinados casos,
inclui-se o grupo Santo Onofre). O primeiro pode ser dividido em
três grupos, com denominações distintas, porém, correlativas, na
Chapada Diamantina e em outras áreas. O contato superior do Supergrupo
Espinhaço se faz de maneira discordante com o Supergrupo São Francisco
e o contato inferior é discordante com polimetamorfistas dos Complexos
Caraíba-Paramirim e Paraíba do Sul.
Os municípios que pertencem a esse Supergrupo são: Boquira (calcário, dolomitas,
siltitos, folhelhos, argilitos e ardósias, constituindo seqüências de predominância
carbonática e pelítica intercaladas), Botuporã, Oliveira dos Brejinhos, Ibipitanga
(com falha de deslocamento horizontal no município),
4.
A DESCRIÇÃO GEOMORFOLÓGICA DA MICRORREGIÃO GEOGRÁFICA DE BOQUIRA
A microrregião
de Boquira está totalmente situada na parte ocidental da região geomorfológica
da Chapada Diamantina denominada mais especificamente de Planalto
da Diamantina. Nesta região tem-se o predomínio
de estruturas dobradas (montanhas, serras) formadas no período geológico
do pré-cambriano. Assim, no conjunto do relevo, podem ser estabelecidas
duas unidades (porções) geomorfológicas individualizadas pelas suas
características de modelado resultante da diversidade litológica
e estrutural, a saber: as Serras da Borda Ocidental e o Pediplano
Central.
De modo geral a morfologia da unidade Serra da Borda Ocidental reflete
o padrão
estrutural do relevo dobrado, isto é, nota-se a presença de elevações seja
na forma de montanha, serra, morro, etc. As cristas (cumes das elevações) que
são orientadas resultam de metaquartzitos (tipo de rocha metamórfica, a qual é formada
pelo processo de metamorfização, ou seja, a rocha sob ação de temperatura,
pressão, gases e vapor d’água sofre uma recristalização parcial ou total formando
uma nova rocha) e são paralelas a vales estreitos e entalhados sobre arenitos,
filitos, metassiltitos e metaquartzitos mais friáveis. Já o modelado predominante
no Pediplano Central resultou da superfície de aplainamento que foi degradada,
retocada e inumada, interrompidas por cristas residuais das camadas quartzíticas
dobradas.
As altitudes que marcam o relevo da microrregião geográfica de Boquira variam
de
5.
OS SOLOS
Entre
os recursos naturais de nosso planeta, os solos ocupam um lugar de
extrema importância, visto que, direta ou indiretamente, nossa vida
depende deles. Essa importância fez com que surgisse um novo ramo
da ciência - Pedologia - que se dedica exclusivamente a estudar como
os solos se formam e corno são constituídos. As descobertas da pedologia
são de grande interesse aos especialistas que lidam diretamente com
aspectos relacionados ao uso da terra, tais como: agrônomos, geólogos,
geógrafos, geomorfólogos, engenheiros, e a todas as pessoas que de
um modo ou de outro se interessam em conhecer e preservar a natureza.
O solo hoje é visto como a massa natural que compõe a superfície da terra,
que suporta ou é capaz de suportar plantas, ou também vida é resultante da
ação do clima e da biosfera sobre a terra. Para que se conheça um solo e saber
a sua potencialidade agrícola (nível de resposta que dele poderá advir, quando
for submetido a diferentes tipos de utilização), tem de se levar em conta algumas
das suas características como:
»Porosidade:
refere-se ao volume do solo ocupado pela água e pelo ar. Quanto maior for a
porosidade, maior será a drenagem de um solo.
»Estrutura: agregação de partículas
primárias do solo em unidades estruturais compostas, separadas em si por superfície
de fraqueza.
»Textura: proporção relativa
das frações granulométricas que compõem a massa do solo. Pode ser textura arenosa,
argilosa, siltosa ou média.
»Pedregosidade:
refere-se a proporção relativa de exposição de rochas do embasamento, quer
sejam afloramentos de rochas, quer camadas delgadas de solos sobre rochas.
»Consistência: manifestações
das forças típicas de coesão e adesão entre as partículas do solo, conforme a
variação dos graus de umidade.
Ainda
para o estudo dos solos, são utilizadas as expressões de:
»Solos álicos: aqueles que possuem
saturação por alumínio igual ou superior a 50%, sendo pouco férteis.
»Solos distróficos: com saturação
por base e saturação igual ou inferior a 50% sendo pouco férteis.
»Solos eutróficos: possuem saturação
por base igual ou superior a 50%, sendo férteis.
A fertilidade do solo está relacionada à disponibilidade de elementos nutritivos
em quantidades satisfatórias para proporcionar um bom desenvolvimento das plantas.
OS
SOLOS DA MICRORREGIÃO DE BOQUIRA
Os
municípios que compõem a microrregião de Boquira possuem diversos
tipos de solos, sendo que as mais freqüentes e com maior representatividade
são os seguintes: solos Litólicos distróficos e eutróficos, Latossolos
Vermeiho-Amarelo eutrófico e distróficos, Podzólico Vermelho-Amarelo
eutrófico e distrófico e Planossolos.
Estes solos, freqüentemente encontram-se associados a outros solos, a exemplo
do Bruno não cálcio.
Existe urna pequena diferenciação entre os horizontes. São considerados corno
sendo solos cujos materiais são os mais decompostos.
Formam-se em ambientes com intensa umidade e calor. São, portanto, solos bastante
envelhecidos, estáveis e intemperizados.
Por causa do intenso intemperismo a que é submetida, a maior parte dos Latossolos é bastante
empobrecido em nutrientes necessários aos vegetais.
Sendo
assim, subdividem em:
Eutróficos -
quando as bases como o cálcio, magnésio, potássio e sódio ocupam mais de 50% da capacidade
de troca, sendo férteis. Estão associados a areia quartzosa e a Podzólicos,
ocorrendo em área com topografia plana e suavemente ondulada. Ocorrem principalmente
no município de Oliveira dos Brejinhos.
Podzólicos Vermelho-Amarelo
- são solos minerais, não hidromórficos, ou seja, solos com boa permeabilidade
e boa porosidade, facilitando a drenagem. Estes solos são bem desenvolvidos,
com profundidade média, moderadamente ou bem intemperizados. Possuem diferenciações
marcantes entre seus horizontes. A maior parte desses solos presta-se relativamente
bem à agricultura intensiva, desde que não esteja situado em áreas com relevo
de declives fortes. Subdividem em:
Eutróficos - com média
a alta saturação de alumínio e baixa acidez. Possuem textura arenosa média
e média argilosa; com alta fertilidade. Podem estar associados a solos Bruno
não cálcios ou Latossolos.
Distróficos - possuem saturação
por base e saturação por alumínio inferior a 50%. São solos de baixa fertilidade,
com textura média. Ocorrem principalmente no município de Caturama.
Solos Litólicos - São
solos não hidromórficos, ou seja, solos com boa permeabilidade e boa porosidade.
São pouco desenvolvidos, rasos, geralmente possuem muitos minerais primários,
normalmente bem drenados, mas susceptíveis a erosão devido à reduzida espessura.
Subdivide em eutróficos, com textura média, sendo férteis, e distróficos, com
textura arenosa e média, de baixa fertilidade. Ocorrem nos municípios de Macaúbas,
Ipupiara e Oliveira dos Brejinhos.
Solos Aluviais Eutróficos -
São pouco desenvolvidos, constituídos por camadas estratificadas, típicas dessas áreas.
Estes solos são bem drenados, mas com risco de inundação em períodos muito
chuvosos, pois se encontram nas margens de rios. Ocorrem em relevos planos,
estando associados a solos litólicos. São muito férteis. Ocorrem nas margens
do rio Santo Onofre.
Planossolos Eutróficos -
São solos muito limitados ao uso agrícola, pois tem tendência a ser exportador
de nutrientes por erosão. São de baixa permeabilidade e raso, ocorrendo no
município de Tanque Novo.
6.
INFORMACOES CLIMATICAS DA MICRORREGIAO GEOGRAFICA DE BOQUIRA
| MUNICÍPIOS |
TEMPERATURA
MÉDIA ANUAL (°C) |
PRECIPITAÇÃO
ATMOSFÉRICA ANUAL (mm) |
| Boquira |
22,5 |
756 |
| Botuporã |
22,2 | 787 |
| Brotas de Macaúbas | 20,6 | 723 |
| Caturama | 22,2 | 700 |
| Ibipitanga |
23,2 |
700 |
| Ibitiara |
20,6 |
722 |
| Ipupiara |
22,2 |
634 |
| Macaúbas |
21,6 |
669 |
| Novo Horizonte |
23,2 |
750 |
| Oliveira dos Brejinhos |
20,6 |
690 |
| Tanque Novo | 21,0 | 873 |
Buscando
conhecer melhor o clima predominante na área de estudo, tornou-se
importante consultar materiais bibliográficos relativos ao tema e
assim, os analisados foram o Atlas Climatológico da Bahia e alguns
artigos do autor Köppen. Desse modo, de acordo com a primeira fonte,
os municípios de Botuporã, Caturarna, Tanque Novo, Boquira, Ipupiara
e Oliveira dos Brejinhos possuem um clima totalmente semi-árido sendo
que os três últimos chegam a ficar de seis a oito meses em período
seco. No que tange a Ibipitanga e Macaúbas, pode-se dizer que ficam
quase que totalmente sob o domínio do clima tropical semi-árido.
Brotas de Macaúbas, Ibitiara e Novo Horizonte estão parcialmente
no clima tropical semi-árido e no tropical semi-úmido, pois ficam
até seis meses em período seco.
De acordo com o pesquisador Köppen, o grau de aridez de um clima não deve ser
avaliado somente pelo total anual de precipitação, mas também em função do
grau de evaporação e por isso, ele estabeleceu uma classificação climática
bastante detalhada na qual são analisados: a precipitação, ou seja, quantidade
de chuva; a temperatura média anual e o período seco de uma área. Assim, Köppen
estabeleceu a utilização de letras para facilitar o entendimento do seu trabalho
e particularizando a microrregião de Boquira seu clima seria 0 BShW. B porque
o clima é seco e a evaporação é maior que a precipitação havendo dificuldades
para se formar rios perenes na região; S em função da predominância de urna
vegetação rala e Arida, b devido a temperatura média anual ser superior a 18°C
e W porque o período seco concentra-se no inverno e o mês mais chuvoso ocorre
no verão.
Diante do exposto, torna-se relevante salientar que provavelmente a microrregião
geográfica de Boquira encontra algumas restrições para desenvolver atividades
ligadas ao uso do solo, em função de enfrentar alguns períodos secos no decorrer
do ano, já que esta sob o domínio do clima semi-árido com chuvas escassas e
com elevadas temperaturas.
7.
A DESCRIÇÃO HIDROGRÁFICA DA MICRORREGIÃO GEOGRÁFICA DE BOQUIRA
Os
rios que drenam a microrregião geográfica de Boquira pertencem a
Bacia Hidrográfica do São Francisco. O afluente mais importante da
região é o Rio Paramirim que embora intermitente atravessa vários
municípios no sentido sul-norte. Este rio serve de divisa para os
municípios de Ibipitanga e Macaúbas bem como para Ibitiara e Boquira
e este ultimo com Ibipitanga. Percorre ainda todo o município de
Oliveira dos Brejinhos indo desaguar na respectiva bacia hidrográfica.
De acordo com a classificação dos padrões de drenagem, a qual e' baseada na
geometria (na forma) dos canais, a microrregião de Boquira apresenta uma drenagem
que varia do contorcido ao angulado. Vale ressaltar que toda a rede de drenagem
desta região apresenta rios intermitentes devido à escassez e irregularidades
das precipitações, exceto o Rio Verde localizado na extremidade norte da região
de pouca expressividade para a mesma.
Além disso, nesta área predomina litologicamente terrenos cristalinos nos quais
dificultam o armazenamento de águas. Uma das medidas adotadas para combater
a seca que afligem essa região foi à construção de barragens e açudes para
o represamento das águas. O melhor exemplo da área é o açude de Macaúbas concluído
em 1936 pela CODEVASF com capacidade de 20 milhões de metros cúbicos de água
e formado pelo Rio Rachão e pelo Riacho do Sapecado.
8.
OCORRÊNCIAS VEGETAIS DA MICRORREGIÃO GEOGRÁFICA DE BOQUIRA
A
vegetação é um aspecto bastante interessante de se analisar, pois,
a mesma reflete as condições e/ou combinações dos diversos elementos
naturais de urna determinada área. Neste sentido, a microrregião
em questão possui como clima predominante o semi-árido com algumas
variações, uma temperatura média que oscila entre 21º e 23,2°C, uma
pluviosidade média anual equivalente a 600-800 mm, um período seco
concentrado no inverno e o mês mais chuvoso no verão, uma considerável
evaporação que impede a formação de rios caudalosos e solos do tipo:
latossolo vermelho-amarelo distrófico, litólico álico, podzólico
vermelho-amarelo eutrófico, latossolo vermelho-escuro eutrófico,
latossolo Vermelho-amarelo álico, Litólico eutrófico, litólico distrófico,
planossolo, Solo solódico e areias quartzosas. Diante da ocorrência
de tais características físicas, é possível comentar que a referida
microrregião tem como vegetação típica a floresta estacional semidecidual,
a floresta Estacional Decidual, o Cerrado e com maior abrangência
o contato Cerrado/caatinga e a Caatinga.
O Cerrado é uma vegetação que ocorre em áreas onde os verões são chuvosos,
os invernos são secos e os solos ácidos e pobres em função da lavagem realizada
pelas chuvas abundantes e mal concentradas que retiram seus nutrientes. A referida
vegetação é composta principalmente por estratos arbóreo-arbustivo de caráter
lenhoso e pelo herbáceo-subarbustivo que é formado por gramíneas e outras ervas.
Os arbustos do cerrado são adaptados às condições do solo e por isso, apresentam
troncos e galhos retorcidos, cascas grossas e raízes profundas. As espécies
do cerrado sobrevivem às queimadas e conseguem se regenerar, pois suas plantas
possuem um mecanismo subterrâneo especial, pois, os solos funcionam como isolante
térmico e em poucos dias as espécies rebrotam.
Na microrregião estudada o cerrado ocorre predominantemente em conjunto com
a caatinga que é outra vegetação bastante importante. Esta é do tipo caducifólia,
ou seja, elimina as folhas durante o período seco como forma de deter a perda
de água pela transpiração. Alem disso, a caatinga é urna mata aberta, decídua,
de caráter xerófilo formada por árvores baixas e médias e arbustos espinhosos.
Os botânicos que estudaram a caatinga reconhecem a existência de três tipos
fundamentais dessa vegetação. O Agreste, o carrasco e o sertão. Cada um tem
características particulares. Assim, em alguns tipos as árvores são mais raras
havendo a predominância de arbustos e em outros as árvores dominam e em outros
as cactáceas são mais freqüentes.
A caatinga apresenta diferentes formações vegetais que são compostas por várias
espécies que apresentam potencialidades diversas tais como: indústria madeireira,
ornamental, alimentar, medicinal, dentre outras. Dentre as principais espécies
dessa vegetação poderiam ser mencionadas o mandacaru, o facheiro, o xiquexique,
o quibá, a palmatória-de-espinho, as coroas de frade, o cansanção, a barriguda,
o aveloz, a baraúna ou braúna, o juazeiro, o juá, o pau-santo, o bálsamo, a
caraibeira ou craibeira, o pau d'arco, a oiticica,o mulungu, a umburana, etc.
Finalizando, vale abordar que de forma geral em todo o Brasil constantemente
o homem ao desenvolver atividades econômicas ou até mesmo buscando a própria
sobrevivência, vem contribuindo progressivamente para o desmatamento e em muitos
casos extinção de várias ocorrências vegetais e, conseqüentemente animais,
já que todo o ecossistema atingido perdendo sua harmonia. No que tange a vegetação
esplanada anteriormente, vale citar que há certa insipiência de pesquisadores
trabalhando na região semi-árida, o que limita a constituição de um conhecimento
científico sistematizado, orientador que busque conciliar produção e proteção.
9.
USO DO SOLO DA MICRORREGIÃO DE BOQUIRA
Os
municípios que compõem a microrregião geográfica de Boquira localizam-se
na região econômica da Chapada Diamantina e se situam entre 8°30'
a 18°30' de latitude sul e 37°30’ a 46°30' de longitude oeste. Generalizando,
pode-se dizer que o clima predominante da área de estudo e o semi-árido
apresentando variações. Quanto às chuvas, vale afirmar que elas se
concentram de novembro a janeiro e a pluviosidade media anual oscila
conferindo a área a possibilidade de desenvolver uma agricultura
regular.
Os solos característicos da microrregião geográfica de Boquira são: latossolo
vermelho-amarelo distrófico, litólico álico, podzólico vermelho-amarelo eutrófico,
latossolo vermelho-escuro eutr6flco, latossolo vermelho-amarelo álico, litólico
eutrófico, litólico distrófico, planossolo, solo solódico e areias quartzosas
em Oliveira dos Brejinhos.
A partir desse conjunto natural é possível inferir que de acordo com dados
da publicação Informações Básicas dos Municípios Baianos, editada pela SEI
em 1994 na área em questão desenvolvidas atividades como: agricultura, pastagem
natural e plantada, silvicultura e extrativismo mineral. Particularizando a
agricultura, vale mencionar esta atividade como a que mais oferece emprego à população
economicamente ativa dos municípios pesquisados e os principais produtos agrícolas
plantados são: feijão, tomate, laranja, manga, milho, arroz, mamona, batata
doce, banana, alho, coco-da-baía, mandioca e cana-de-açúcar. Estes dois últimos
são Os mais produzidos e constituem o interesse da maioria dos agricultores.
No que tange a pecuária, convém abordar que os principais rebanhos criados
são: os bovinos, os eqüinos, os caprinos, os suínos, os ovinos e por fim as
aves. Entretanto, os rebanhos que mais se destacam na área são os bovinos seguidos
dos caprinos, eqüinos e suínos. Quanto aos produtos de origem animal pode-se
constatar a produção de leite de cabra e com maior predominância o leite de
vaca, ovos de galinha e mel de abelhas.
Em
analise a informações contidas no Censo Agropecuário feito pelo IBGE
em 1995-l996, foi possível perceber que em todos os municípios há uma
predominância por lavouras temporárias e com exceção de Ipupiara
e Oliveira dos Brejinhos o tipo de pastagem mais desenvolvida é a
plantada em detrimento da natural. Essa informação é de suma importância,
pois em comparação com os dados do Informações Básicas dos Municípios
Baianos e do referido censo utilizado para construir a tabela 02,
foi possível perceber que houve a incorporação da pastagem plantada
na microrregião, já que antes predominava apenas a natural e, assim,
pode-se elaborar um novo cartograma do uso do solo dos municípios
em estudo.
10
- OS EMPREENDIMENTOS
A
partir de 1998, várias obras de expansão do fornecimento de energia
elétrica nas sedes e povoados da microrregião de Boquira podem ser
constatadas, conforme levantamento de informações obtidas no setor
de engenharia e distribuição da Coelba. Essas obras são realizadas
através de contatos celebrados entre o Governo do Estado e a Coelba,
que se encarrega pela execução dos serviços. Conforme informações
colhidas na Diretoria de Energia da Secretaria de Infra-Estrutura
do Estado, nas localidades onde é inviável por motivos técnicos e
financeiros, o fornecimento de energia elétrica, é colocada a disposição
mediante certas formalidades, geradores de energia solar, cujos serviços
de instalação são de responsabilidade da CERB - Companhia de Energia
Rural do Estado.
Sobre o aproveitamento de energia solar, é importante destacar que os custos
tanto de aquisião do aparelho como manutenção são realmente baixos pelo tipo
de benefício proporcionado.
Na área de comunicações, o Governo do Estado atua colocando nos municípios,
antenas de recepção digital via satélite. A meta inicial deste projeto é atender
os 415 municípios com sinal do IRDEB, 390 com o sinal da TV Bahia. Os municípios
se encarregam de oferecer o terreno, segurança pelo trabalho e energia, ficando
a manutenção por conta do Estado, que tem a perspectiva de terceirizar essa
parte do serviço. As emissoras se encarregam de jogar o sinal via satélite
mais os custos do serviço com a EMBRATEL. Por ser um sistema local só atende
a sede do município, distritos e povoados não recebem o sinal.
Neste sistema digital via satélite, só as emissoras que possuem convênio com
o Estado é que utilizam este serviço. No convênio, as emissoras têm prioridade
de escolha, onde quer que o sinal seja recebido.
No que tange a construção de rodovias, existem dois projetos que já tiveram
a ordem de serviço assinada pelo Governo do Estado e atualmente já estão em
processo licitatório são: Macaúbas/Ibipitanga e Ibitiara/Novo Horizonte. A
fiscalização dessa obras é da responsabilidade do DERBA.
| Lista das comunidades assistidas pela Paróquia Nossa Senhora da Oliveira | |
|
|
No total, são 115 comunidades.
2.2.2– Solo
Tipos
de solo: latossolo vermelho-amarelo distrófico, solos litólicos álicos,
podzólico vermelho-amarelo, eutrófico, planossolo solódico, areias
qurtzosas distróficas, solos litólicos eutróficos.
Aptidão agrícola das terras: aptidão restrita para lavouras, aptidão restrita
para silvicultura; regular, restrita e sem aptidão para pastagem natural, aptidão
regular para lavouras.
2.2.3-
Vegetação
Caatinga
arbórea aberta, cerrado arbóreo aberto, sem floresta-de-galeria,
contato cerrado-caatinga-floresta estacional, contato caatinga-floresta
estacional, caatinga arbórea densa.
2.2.4-
Relevo
Serra
de borda ocidental do Planalto da Diamantina, Pediplano Central da
Chapada Diamantina.
2.2.5-
Geologia
Depósitos
eluvionares e coluvionares, gnaisses, quartzitos, arenitos, anfibolitos,
formação ferrífera, mármore, xistos, depósitos fluviais.
2.2.6-
Ocorrências minerais
Cristal-de-rocha,
barita, amianto, cobre, ferro, argila, caulim, chumbo, manganês,
mica, níquel.
2.2.7-
Hidrogeologia
-
Importância relativa do aqüífero: média, pequena e grande;
-
Profundidade do nível estático: 0 a 30 metros;
-
Número de poços perfurados: 23
2.2.8-
Hidrografia
Bacia
hidrográfica: São Francisco
Rios principais: Rio Paramirim, Riacho do Brejinho, Riacho do Cocal.
Áreas Irrigadas:
Espelho d’água:
Açudes: Queimada Nova;
Represas: Jirau e Picadas.
Cisternas construídas em convênio com a CAR e Diocese de Barra: 400
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